terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Vento

Quase fiquei com vontade de escrever aqui...

Mas passou.




(A vida às vezes parece uma redação de vestibular


e eu, um vestibulando que não sabe escrevê-la).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sem voltas

Chega-se o tempo da verdade,
hora do cair das máscaras ilusórias
coloridas, como o pensamento esperançoso de uma criança
que ainda acredita no dia de amanhã
se cristalizando com vontades reais.

Cobra-se o tempo do crescer,
do engravatar preguiçoso
das pastas, ligações, recibos, aprovações
do deixar dos sentimentos
verniz que civiliza.

Acha-se tempo para felicidade,
entre cervejas e baforadas ao silêncio do pensar
doses semanais de falsa vivência
sorrisos que classificam estratos
perfume morno da essência humana.

Perde-se o tempo do viver,
fuga do se achar em si
as emoções já estão etiquetadas
e as lembranças envidraçadas
prontas para o estilhaçar final.

Quero, então, o tempo do eu!
do derrubar das possibilidades nunca resolvidas
extermínio do porém, aniquilar do se!
revelação estratosférica da vida
fim da medição do amor, do dia-a-dia regulamentado
destruição dos conta gotas, abaixo os pormenores!
escancarar dos olhos, abrasar dos povos
inundação sem volta do saber.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sempre me pergunto maneiras de quebrar a rotina. A Arte nessa terça, 28, num golpe certeiro quebrou as pernas do cotidiano, e revelou-me sua face de sentido. Sentido? Não sei se seria a palavra adequada para se usar na descrição de minha experiência. As coisas mais belas da vida muitas vezes não fazem sentido algum. Mas o sentido que aqui trato é o de continuar vivendo, e neste acredito.

O fato: Apresentação do coral russo: Moscow Sretensky Monastery Choir. Cerca de 2 mil pessoas dobrando filas para entrar no Mosteiro de São Bento e assistir a única apresentação que o grupo faria. Bem, é bastante lógico que com as excelentes apresentações lá realizadas, entrada franca e notável divulgação um grande contingente iria. Foi o que aconteceu. Mas creio que o verdadeiro fato foi o descontentamento das 2 horas de fila, do atraso e do cansaço ter sido dissipado na primeira música regida pelo maestro que guiava pouco menos de 50 homens.
Foi imersa num redemoinho de vozes, pensamentos e lembranças que minha vida (real) me pareceu...vazia.

Já havia tido experiências reveladoras com a Arte, mas talvez pelo momento, pelo estado de espírito ou por qualquer coisa que sentia, a revelação foi escancarada, como se rasgassem minha alma e todo vazio fosse preenchido por novos sonhos e sentimentos.

Acho que esse é o real sentido da vida. E engraçado pensar que esse real se confronta constantemente com a vida “real”, que é cheia de podas, massacres e desilusões. O sentido verdadeiro seria a fuga da realidade?

E por que não transformar a realidade no sentido real? É possível viver de Arte, viagens, sentimentos, emoções? Espero que a resposta seja sim. Principalmente, é possível viver de sonhos. Meus mais novos sonhos irão me carregar e ajudar a viver minha realidade, assim como todos os outros sonhos que carrego.

"Não sou nada
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

Tabacaria - Fernando Pessoa

Tento me expressar mais, mas estou travada. Se continuasse tentando, me frustraria e estragaria o que tenho em mim. Espero que todos saibam o que senti. Para mim foi como uma porta aberta e já consigo ver outras entreabertas.


O site do coral é: http://www.clerical.ru/ e está em inglês. Lá é possível escutar algumas músicas... Recomendo as do CD: Favorite Russian Songs.

É isso. Beijos



P.S.: Acabei com a palhaçada dos ursinhos carinhosos, o filme dessa semana voltou a ser "Adeus, Lênin!". (Mas ainda escuto ABBA!)

domingo, 26 de outubro de 2008

A tênue linha entre felicidade e idiotice


Devido ao TENSO clima desse blog (bem mais obscuritate que lumine) e ao meu bom humor de hoje, irei fazer algumas mudanças para meus estimados visitantes pararem de pensar em suicídio quando entrarem aqui (desabafo) (mentira, é só charme).

Tenho grande prazer, portanto, de informar que o filme dessa semana (que seria meu amado Adeus, Lênin!) será "Os Ursinhos Carinhosos - O filme"!

Sim!! Ursinhos Carinhosos! Só peço cuidado caso ocorra alguma identificação com o Coração Malvado (Gelado, de pedra? Ahh...faz tempo, vai!), e especial atenção às boas lições que nossos fofos ursinhos ensinam (ah, bem que o próximo poderia ser "O Homem Urso", pra quebrar a alegria...Mua hua hua).

E em comemoração ao meu último mês com 17 anos, coloco aqui uma música impossível de se escutar parado!

Com: Vídeo para imitar os passos
Acompanhamento em chinês
Tradução para cantar junto! (Para os ultrapassados que não sabem ler mandarim....)
E + : Dicas INÉDITAS!!


video

DANCING QUEEN

YOU CAN DANCE, YOU CAN JIVE (Acredite!)
HAVING THE TIME OF YOUR LIFE
SEE THAT GIRL, WATCH THAT SCENE (Todos apontando!)
DIG IN THE DANCING QUEEN (Voltinha completa!)

Friday night and the lights are low
Looking out for a place to go
Where they play the right music, getting in the swing
You come to look for a king (Look for a king!)
Anybody could be that guy (Anybody!)
Night is young and the music's high
With a bit of rock music, everything is fine
You're in the mood for a dance
and when you get the chance... (Momento de expectativa!)

(Com emoção, todos juntos!)
YOU ARE THE DANCING QUEEN, YOUNG AND SWEET, ONLY SEVENTEEN!
Dancing queen, feel the beat from the tambourine, oh yeah (Sinta a batida!)
YOU CAN DANCE, YOU CAN JIVE
Having the time of your life
See that girl, watch that scene
Dig in the dancing queen (Você é a rainha!)

You're a teaser, you turn 'em on
Leave 'em burnin and then you're gone
Lookin' out for an other, anyone will do
You're in the mood for a dance
and when you get the chance

(Em lágrimas!!)
YOU ARE THE DANCING QUEEN, YOUNG AND SWEET, ONLY SEVENTEEN
DANCING QUEEN, FEEL THAT BEAT FROM THE TAMBOURINE, OH YEAH (Arrepie-se!)
YOU CAN DANCE, YOU CAN JIVE
HAVING THE TIME OF YOUR LIFE
SEE THAT GIRL, WATCH THAT SCENE
DIG IN THE DANCING QUEEN

Dig in the dancing queen!!

Sem considerações amargas por hoje, por favor! Veja tudo colorido! O mundo é um arco-íris!
E VIVA ABBA!
hahaha, é isso!

YOU CAN DANCE! ;)

sábado, 25 de outubro de 2008

Desculpo

Quando você foi embora
(Já nem me lembro mais o porquê)
Entendi que não era por mim.
Foi difícil. Cresci tão rápido,
e você perdeu
meus atrasos, meus almoços,
minhas brigas e alegrias,
tentando beber um pouquinho disso tudo,
em dias alternados e finais de semana bem comportados,
mas minha vida é contínua
e nos dias não,
você não estava lá.
Não liguei, e fechei em mim as discussões e a saudade.
Parei de pensar e me futilizei aos poucos, pra agüentar o que não era tão ruim assim.
Recebi ordens extras,
me ausentei...tentei ser invisível,
virei vulto musicado
Tentei achar escape, apaguei.
Mas agora que cresci
Já não tenho mais medo do tamanho,
da gritaria,
dos desencontros,
do silêncio.
Tive que expulsar o que era seu em mim,
você gritou,
ela chorou,
pedi pra você ir embora,
você esperou...
...se desculpou,
partiu
e eu chorei.
Não pela ida, mas pelo pedido.
Precisei mudar, pai,
sem você estar aqui.

_______________

O mais difícil que escrevi.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

........


Num certo momento o sentido se extingue
como uma nuvem que se esvai...
Desvanece.
Todas as intenções,
Ilusórias ou não,
Ilustres ou não,
Anulam-se
em tristeza, causando um mal-estar
um enjôo,
por tudo aquilo que não foi
e que foi
e que poderia ser.
A inércia assume o poder
e continuamos procurando
um fim.

sábado, 11 de outubro de 2008

Risadas, pouco espaço, muito café e...

Interessante observar como o ano de cursinho é um ano de amadurecimento para os alunos. A segurança de estar no colégio, de estar por certo período de tempo no mesmo lugar, acaba.

No cursinho a certeza acaba. Todos querem passar de forma rápida, quebrando uma continuidade, passando exageros talvez não permitidos num ambiente social contínuo. Você tem um ano (o esperado) para, aprender, conhecer, crescer, relembrar e se destacar de alguma maneira no meio de um verdadeiro mar de gente.

No colégio, após certo período de tempo, as relações são fixas, todos já viram seu rosto e fizeram um estereótipo geral. No cursinho, cada dia é uma cara nova, e se fixar é difícil. Tentar mostrar quem você é se torna comum. O diferente vira padrão. É preciso se vasculhar para montar um novo e "verdadeiro" eu.

E é no novo - no não fixo - que sentimos medo. Medo da decepção, medo de decepcionar, medo de pensarem errado, somado ao medo do até então temido vestibular. Mas nesse contexto de medos, incertezas e descobertas, o vestibular se torna secundário... E é nas vésperas de novembro que muitos acordam e relembram o motivo primário de estarem lá, a aprovação (desabafo). E acordar desse monumental amadurecimento dói. Acostumamos a crescer, e voltar a pensar em provas e simulados parece pequeno. O cursinho nos "espicha" nos mostrando o real. Mostra a concorrência, o aperto, o desespero e as cervejas de sexta (ou de todos os dias). Mostra o incerto, a vida. E atribuir todo esse borbulhar de vida e descoberta ao cursinho mostra que lá é apenas um lugar onde pessoas, por aparentemente um único motivo (o da não aprovação) se reúnem e sabem que nem todas conseguirão. "Sua vitória está na derrota de outros". Sabemos disso e continuamos fazendo amizades, concorrentes ou não.

Essa contradição é uma frestinha de vida. Com algumas almofadas a mais para proteção, como os professores, as piadas, os barulhos, a orientação, o popa, e muitos, muitos quadradinhos para nos orientar, já que ainda somos imaturos para lidar com essa avalanche de ar fresco e inovador.

Essa é a minha visão de aluna, de passageira que depois vai seguir viagem. Penso (e certamente não sou a única) nos queridos funcionários que ficam. O professor Maurício disse certa vez "Eu sou o único que envelheço aqui!" e de primeira impressão, essa frase me causou certa agonia. Como é ser notado e não notar à todos? Como é receber mares de novas perguntas, questionamentos, visuais, cores, emoções? Como é estar estático e ao mesmo tempo tão mutável? Ter uma certeza de continuidade forte e ao mesmo tempo fraca, pois as aulas dependem dos alunos que são inconstantes. Como é se apegar e ter que largar sem ter a certeza do depois? Só com essas muitas (poucas em relação as outras tantas) perguntas é possível perceber o quanto os "mestres" também crescem. E talvez nem pensem tanto sobre isso. E achei interessante justamente uma pergunta aparentemente básica sobre "ser professor" causar (acho que novamente) esses questionamentos.

Todos lá deveriam se perguntar constantemente sobre o que é ser professor. Nem todos chegariam a conclusões brilhantes (acredito que uma faculdade de filosofia faça alguma diferença), mas certamente achariam algum motivo para seguirem em frente. Não é fácil conseguir conviver com essa panela de pressão (e estar dentro dela) sem o amor pelo o que se faz. E a continuidade do conhecimento, não da rotina, deve trazer uma enorme satisfação.

Odeio atribuir títulos que enaltecem as pessoas, a maioria deles são falsos. Não acredito ser inferior, e essa minha rebeldia de hierarquia traz coisas boas (e poderá me trazer coisas ruins também). Acredito com isso poder me relacionar com qualquer pessoa, e enxergar nela seus defeitos e medos, que me aproximam, como numa sincronia de questionamentos e vivências. O verniz da segurança me remete um tom de falsidade. E quando conseguimos quebrar essa casca e nos mostrar (parcialmente) verdadeiros, reconheço vitória, pois um medo foi vencido e outro adquirido, o do ser vulnerável.

Venci muito esse ano. Conheci pessoas incríveis. Fiz e aprofundei amizades. Aprendi a beber, a quase me vestir. Rodopiei por cursos e voltei ao mesmo. Sofri, ri, aproveitei. Cultivei uma possível gastrite, me atrasei. Aprendi atalhos pelo centro, conheci restaurantes sujos e bons, tenho truques pro metrô. Estudei menos que deveria e aprendi mais do que esperava. Cresci, e primeiramente... Vivi.

Espero seguir viagem, e levar comigo todos os questionamentos, medos e inseguranças que tanto me fizeram crescer, para nunca olhar minha vida como uma grande rotina, e sempre me renovar, nesse oceano de questões que é o ser humano.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Limites?


Até que ponto minha vida influência a do outro?
Semana passada assisti o filme: Requiem for a dream. Excelente! Um soco no estômago, um daqueles filmes que fazem passar a semana enjoada. (Isso é excelente?)
Refletindo mais, percebi o ponto de vista do diretor em relação ao tema tratado e comecei a me posicionar frente a isso.
Até onde destruir minha vida afeta a sua?
As leis protegem um indivíduo até que ponto?
O que é o correto senão o que sinto?

São questionamentos simples presentes nos mais íntimos detalhes.
A vida "pune" se você não age de acordo com valores sociais ou individuais?
A vida pune... Estranho esse vocabulário, essa idéia. Mas vender seu corpo, perder um braço, ficar louca... não seria punição? A cadeia é uma maneira de punir. Será eficiente? Qual o conceito de punição? O que me faria sentir arrependimento?

Conversando com uma amiga sobre esse filme, me trouxe mais pontos de vista: O diretor buscou extremos para causar o questionamento.

Sem dúvidas (com MUITAS delas) esse filme me trouxe ao questionamento...
Não consegui ainda refletir com calma sobre tudo isso e escrevo esse post, no meu blog quase abandonado, como uma maneira de não esquecer tantas perguntas.
A rotina corrida facilita o esquecimento de dúvidas subjetivas...

Há muito o que refletir, perdoem esse vomitar de questões mal elaboradas.
Eu pedi perdão? O caralho, esse blog é meu! haha
Enfim...
..
*

P.S.: Outro filme (mais leve) que assisti recentemente foi Annie Hall de Woody Allen... Recomendo!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Mindwalk



"Quando percebemos que nós e o planeta somos na verdade, um só, uma realidade, uma só consciência, teremos chegado ao ponto de descobrir que a nossa transformação não foi apenas uma atitude, mas uma mutação."


Do filme: Ponto de Mutação (Mindwalk) de Bernt Capra

terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Se não invento a alquimia de transformar esta imundície em ouro, estou perdido"

Nietzsche (carta a Overbeck 25/12/1982)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Odeio esse abafado ar de angústia eterna.
Antes assumir o desagrado com o mundo como o velho safado
que camuflar usando um sorriso civilizatório
(de dentes bem brancos,
cor de nata,
corroídos por ácido
até a invenção de um café fluoretado)
Escondendo, assassinamos aos poucos
a aflição que nos dá vida.
Cabisbaixos seguimos,
e apertamos em guardanapos,
bordas de livro,
papéis amarelados,
palavras despejadas para consolo
daquilo que jamais deveria ser consolado.


___________________

Mais pensamentos...
tentando melhorá-los!
Beijo, (não) me bipa!

domingo, 31 de agosto de 2008



E se fragmento-me em instantes, estes não têm volta. Então me perco aos poucos, a cada baque de razão ou irracionalidade que me apresentam um outro lado, uma outra face, um novo sentimento e mais ilusões,
imaginações
palavra que relativiza até a relatividade.
E ainda não me decidi se acredito
na cabeça (e daí se abrem possibilidades)
ou nos olhos.
Mas sou tão míope
e talvez tão louca
(segundo meu histórico familiar)
que prefiro não acreditar em nada
e sigo assim
vivendo,
morrendo,
sentindo...
...sofrendo.


________________________


Trecho de algo que pode vir a ser coisa maior. (ui)
Contador novo no blog!
Nenem hoje (ui)
Sono, muito sono
1h e meia para segunda feira (Nãããããoooo)
Imagem: Filme: Sonhos de Akira Kurosawa

fui!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Encontros e Desencontros

video

Como a vida.

Espero pelo reencontro.

(Cena do filme Lost in Translation)

quarta-feira, 30 de julho de 2008



E se fosse palpável?
Não, não seria interessante.
Gosto da dor. Gosto do sangue.
Gosto do que me vem à cabeça.
Você é da minha cabeça...
Assim como todo o resto.

É preciso um espaço – o impossível – para eu poder preencher com meus pensamentos.
Temo a isso.
Me apaixono por aquilo que criei.
Então nada é verdadeiro? Tudo é verdadeiro.
De acordo com minhas verdades, minhas vontades.
Se fosse palpável descobriria sua verdade.
Viveria o seu viver
Te anularia em mim.
Me anularia em você.

E temo.
Temo teimando.
Teimo queimando em paixão
Em vontades...
Minha carne está seca por carne.
Está com sede de suor, sede de saliva.
Quero calor, força, dor, odor.

E se descubro uma fresta de você, um pedaço não imaginado
Gosto.
Me apego àquilo, fico a pensar. Penso e crio.
Remonto.
E se te provasse mais, não sei.
Não sei...
Poderia ser diferente. Mas até o diferente se fez passado por não criar.

Então confirmo.
O mundo todo finge
A felicidade e a paz.
Não acredito em eternidades, meus conceitos mudam
e creio que irão mudar até me descobrir só.
E me enxergando sozinha, aceito o fato, carrego o fardo.
O fardo da vida como ela é... E quando o fardo virar farpa
(pequena, sem me incomodar)
Dou as mãos à realidade. Faço as pazes com ela.

Não quero soar pessimista. Não escrevo isso com pesar.
Apenas acredito na solidão.
Ela é uma grande amiga, que nos traz a nós mesmos.
Sem ela nos escondemos.
Dura como uma mãe ensinando aos filhos
Que o doce nem sempre faz bem
Que o amor nem sempre sacia.

Mas com piedade, se aprendemos a lição
E cumprimos com o dever de nos aceitar,
Ela mostra os encaixes da vida...
Se faz necessária por um tempo, mas logo some,
sem mágoas...
Desejando boa sorte numa vida de descobertas
Pois também nos aprendemos em outros.

Tropeço em mim
Repreendo-me por não aceitar, mimada, o espelho que me dão.
Minha menoridade vem da dependência
E só a razão pode me salvar.
Vem Kant, me mostrar à ilustração,
Quero logo me comandar.
Transformaram em lei suas idéias,
E estipularam número de invernos vividos
Para alcançar a luz.

Tolice.
Mas não se trata disso.
Tudo que penso, num baque qualquer, parece besteira.
Releio tudo, rio-me...
E termino meu poema.
_______________________________________
Imagem: Estudo das fases da lua de Galileu. Os desenhos são da obra Nuntius sidereus publicada em 1610 (dado do livro "Iluminismo - A revolução das luzes")
Motivo da imagem: Sei lá bicho...
Texto: Sem título agora, quem sabem um dia não coloco um nome.
Recomendação do dia (ai que gay): Filme -> Nome Próprio (Mais? Fuce aí: http://nomepropriofilme.blogspot.com/) Excelente! Muito bom!!
Por hoje é só galerinha!
Puf!

domingo, 27 de julho de 2008

Se...

Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração

Você sabe que eu só penso em você
Você diz só que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não

Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...

Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um

Sei lá o que te dá, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não.

Djavan

Só pra ilustrar hahaha
Vida mudada, mudando...
Incrível como as portas se abrem se o olhar se abre!
Se der tudo certo, vou sentir saudade de São Paulo todo dia...
Ou não, haha

Enfim, é isso por enquanto

sábado, 19 de julho de 2008

Ouro Preto

Foi bom...
Que bela se mantenha até o meu retorno.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Desabafo de uma (ainda) menina mimada.

Um cigarro? Dê-me um maço...
Uma cerveja? Dê-me um engradado...
Pois da vida, nada mais espero.


Tudo não passa de uma contradição muito bem disfarçada. Ou não.

sábado, 28 de junho de 2008

Mais procuro, mais sofro, mais tento, mais me iludo
Vasculhar o passado, remediar o presente
Sofrer, sofrer.
Tento esquecer, me livrar, libertar...
Mas por inércia te procuro.
Descubro repetições, contradições
Não, só mais uma, sempre mais uma

Mais uma...
Uma cerveja, um cigarro
Um beijo, distração
traição?

Tudo já passou, já se foi
A covardia tem sim motivo, explicação
A preocupação de tudo se repetir...
Dor? Muita dor?
Quanto mais melhor...
Enveneno aos poucos minha paz
E alcanço a paz eterna da ilusão.

Tropecei, confesso.
Acreditei, sou ingênua.
Toda minha angústia
acumulada, depositada
enfeitada e venerada,
por mim.
Sim, por mim.

Mas a diferença,
e tão grandiosa, pelo que me parece
é que de ti nada espero
e não me pareces herói
mas fraco.
Fraco.
Com todas as imperfeições possíveis
E admito,
isso me atrai.

São nessas quedas
que recupero forças para esquecer
e é a dor que guia
meus dias,
aleatoriamente
numa repetição sem fim.

Inquieta sigo
Relembro o ontem
não me parece tão surreal assim,
tão perfeito assim,
tão falso.

Sinto raiva,
de perder-me em pensamentos
com você.
Se pudesse escolher,
nem um sorriso lhe daria
nem uma fresta de alegria,
uma risada sequer.

Tolo.
Seu medo é indiscutível,
e viverá assim para sempre
levado pela inércia
do saber.
Do saber?
A desculpa do saber...
especificamente.
Mas em matéria de amor
Nenhum ganha,
todos perdem.

domingo, 15 de junho de 2008

O sonho do viver

Sonhadora. Assim que se definiu Paola, com seus 13 anos de idade. Foi numa maçante aula de religião, em que a professora obrigou os alunos a se descreverem com dois adjetivos (o primeiro seria positivo, enquanto o segundo seria negativo), que a menina anunciou essa sua condição humana.
Se seria o defeito ou a qualidade, ela nunca soube. Os colegas admitiram com estranhamento, entendendo como dote. A professora, vendo a discrepância da resposta com o resto da turma, deixou a menina se pronunciar uma única vez.

A sonhadora acumulava em seus olhos a tristeza de saber que tudo aquilo não passava de um sonho. Uma fantasia. Seus desejos eram automaticamente convertidos em impossibilidades. Não conseguia entender o propósito de alcançar algo palpável. Tudo era uma mera utopia. Cresceu sabendo da ilusão do viver. E isso lhe seria útil na formação de seu verniz social - sua casca de proteção, sua muralha de sentimentos - sempre reforçado duramente com um sorriso no rosto.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Xeque mate



E pensando assim, perdida, como se não pudesse mais enxergar a verdade que brota diante de meus olhos, lembrei-me do quão diferente pode ser.
Mas, o medo de expor-me para aqueles que vêem e julgam como se passasse pelo juízo final (e se fosse o final, antes só pele do que espremida e arrependida de tudo que não vivi), gela as ações de me aproximar.
Cansei. Das satisfações, das contradições, das explicações e principalmente da angústia sentida por esconder o que nem segredo é.
Cansei de me conter. Mas sem essa emoção, toda guardada no peito para ser extravasada no travesseiro, no choro, no chuveiro, não teria graça. A verdade não tem graça. O jogo é necessário, o instinto animal exalando da pele... A traição, a culpa, o desejo.
Não... Minto! Ou será que me iludo tentando acreditar na sinceridade?
Se tirassem todos os tabuleiros, os piões, os dados, quem poderíamos manipular?
O amor, como num golpe fatal, nos derruba no jogo e nos mostra toda a verdade que tentamos esconder para nós mesmos.



Quadro: Mulher com Máscara - Lorenzo Lippi

sábado, 31 de maio de 2008

O racionalismo do viver

Sinto, logo existo
Simples assim.
E se não sentisse
não pensaria
pois a angústia dói
e me faz pensar,
a busca arde
e me faz questionar
a razão gela,
e me faz esquecer.

Portanto,
o "não sentimento"
congela:
a busca
a razão
o saber
o viver
o amor.
Didático o bastante,
Sinto, logo existo.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Adeus Sofá

Não me venha com regras de existência
Você é nada mais que eu mesma.

Pare de se achar superior
Seu intelecto é uma farsa
Sugado de outros tão errados quanto você.

Não tente explicar a Arte
Ela é a sua parte mais individualizada
Escondendo-a o ser se perde.

Não acate isso como uma ordem
Seja original, canibal, natural
Estou farta do lirismo também,
e disso tudo que é falso
A sociedade é falsa
Eu sou falsa
Sou falsa quando se trata de você.
Minha arte é verdadeira, é real
Mas é também irreal por não estar nesse mundo

Não acredito em nada racional.

Sinta querido, viva
Não se acomode no sofá.





Escrita em 13/02/2007
Engraçado pensar como mudamos em tão pouco tempo.
Enfim, o texto é meio sem nexo...Mas o tema ainda é discutido...hehe
Não passa de um "desabafo", mas pode vir a calhar.

Beijos

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A mão que desenha a outra


Confesso ser admiradora de Escher, mesmo estando muito longe de chegar lá!
Enquanto isso, tento.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Rusguento


Rumando rezo rangendo.

Regendo as regras

Remonto o belo

Regulo o resto.

Resquícios secos da saudade

Sentida por ser só

e sozinho supero

o sofrimento de esquecer.


sexta-feira, 11 de abril de 2008

Não versado

O tom de palavras escondidas domina àqueles com complexo de inferioridade
Domina os que têm inveja, os que têm saber, os que têm desejos, sonhos
Domina os fracos, os oprimidos, os francos e os falsos.
Cansa os simplistas, alegra os analistas, elevam o escritor

A necessidade de provar capacidade,
a necessidade de provar inteligência e pensamentos...
talvez eu não pense
talvez eu não sonhe

Hiberno numa ilha de conhecimento comum
Minhas palavras não precisam de dicionário
e isso, ahhh, é inferior. Isso é inferior?

Cansada de um meio que traduz minha alma por números e vernáculos
E me testa diariamente na possibilidade de uma decadência moral.
A falsa moralidade carimbada em minha voz.
A hipocrisia estampada no meu peito.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados?

“O que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados?
Respondo que o oceano sabe.
Por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu.
Quem as algas apertam em teus braços?,
perguntas mais firme que uma hora e um mar certos.
Eu sei perguntas sobre a presa branca do narval e eu respondo contando como o unicórnio do mar, arpado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre uvas cor de sangue tornou a pedra lisa encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou seus fios musicais de uma cornicópia feita de infinita madrepérola.
Sou só uma rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho como tu, investigando as estrelas sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe dentro do vento.”

Pablo Neruda

Se você ler umas 15 vezes pausadamente dá pra entender...Acho que precisei bem mais que isso...
Poesia de Pablo Neruda recitada no filme Ponto de Mutação.
Excelente (a poesia e o filme)!

Estava no meu perfil do orkut, mas mudei pela frase: Tudo não passa de uma contradição bem disfarçada. Ou não.

Hahaha, estou sem tempo, se não escreveria mais e mais e mais...
Beijos!

domingo, 9 de março de 2008

Juno

If I was a flower growing wild and free
All I'd want is you to be my sweet honey bee.
And if I was a tree growing tall and green
All I'd want is you to shade me and be my leaves...

E é assim que o filme começa... All I Want Is You - Barry Louis Polisar

Bem, muito bem...
Muito tempo que eu não posto aqui, o que não é bom para quem está começando um blog! =P
Tudo bem, não tem problema! Estoy aqui (querendo te...AFFF!)

Assisti faz um tempo um filme que eu particularmente achei muito bom! JUNO!
O filme trata de um assunto especialmente polêmico e pesado de uma forma leve...quase infantil.
A protagonista (Ellen Page) é aquela personagem que você daria tudo para ser...Bem, pelo menos eu daria! (Depois de algumas semanas passa).
A trilha sonora então...É FANTÁSTICA! Juro que escutei umas 15 vezes seguidas depois que baixei, durante umas 2 semanas...

Incrível, gostei muito mesmo. Principalmente por pensar que certos assuntos delicados podem ser encarados como parte da vida, naturalmente, sem choradeira e grandes dramas psicológicos. Resumindo, o filme é simples, com uma pitada de esperança e reflexão.

É...fazia um tempo que queria postar sobre esse filme, pois aí está!
Hoje não estou inspirada, vou tentar pensar em algo legal pra escrever amanhã...
Bem, por hoje chega! (Nossa, muito programa infanto juvenil)

Boa Páscoa (é amanhã, eu sei...)

Beijos à todos.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Nós


Cheguei
Tudo era preto, branco e azul
Azul como o céu,
que celestiando as águas do mar
tenta me conquistar com sua escuridão sem fim.


Entrei
Sem saber se era meu
Sem querer me demorar
E tentando me sanar, das dúvidas ali colocadas
Das teorias mal explicadas
Achei um jeito de iluminar com uma escura exatidão.


Chegaste
E sem pensar te vi pensando
E as cores se misturaram
Eis que o verde apareceu
E me sugou, como seus olhos
E assim, perdi a certidão
Para nunca mais me encontrar.


Escrito dia: 22/11/07

Descupem a demora, mas não estou acostumada a postar sempre. Mais uma poesia velha então, espero que gostem! A pintura é de Salvador Dali!
Beijos à todos.

sábado, 1 de março de 2008

Utopia do conhecimento



Do que a vida é feita?
Se observarmos todos os pontos de vista
Se observarmos todas as idéias
Todas as conclusões, todas as perspectivas, ilusões.
Do que o mundo é feito?
Achar uma visão , uma estrada
Achar sua trilha, viver sua vida
Não seria egocentrismo?

Se conhecer 6 bilhões de pessoas é impossível, por que estamos juntos?
Dividimos a mesma terra, o mesmo espaço, as mesmas mentiras, os mesmos instintos animais
mas não te conheço.
Eu pago tua escola, compro teus produtos, aceito tua existência
mas não te conheço.

Tantas partículas inimagináveis, tanta vida sem vida.
Os grãos de areia se afogando na água salgada pelas lágrimas.
Aceitação pensada, enfiada.
O domínio.

Te odeio.
Mas não te conheço.
Te amo,
mas não te conheço.


Escrito dia: 15/02/07

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dentro de muros, entre os ausentes.

É esse o significado do título deste blog.

Pelos significados mais distintos, mas o que primeiro me ocorre a cabeça é um: Reflexões dentro dos meus muros e barreiras, entre um mundo ausente.

Não foi fácil achar. E muito mais difícil foi encontrar um endereço para a página. Essa minha quase ridícula fascinação pelo latim por um lado me ajudou...Não são muitas as pessoas que pensam em "luz e escuridão" para o título de um Blog. Mas são muitas as que pensam em "Grito do silêncio" (com todas as variantes 'pluralísticas' que você imaginar), "luz, lux, lumine...", "Vozes do silêncio", "Reflexões" e outros tantos títulos que testei. Mas o interessante é que ao colocar apenas obscuritate (obscuro), o endereço estava livre. E é justamente disso que fugimos, certo? Da escuridão intelectual, da falta de luz e esclarecimento...

Por isso resolvi colocar um meio termo. A luz que tentamos chegar e a escuridão que vivemos, ou a escuridão da luz, já que em tempos tão avançados cientificamente alguns homem se encontram ainda com problemas existênciais. Ainda bem.

Que não sejamos ausentes para o mundo, que consigamos quebrar nossas barreiras.